Palavras do coração. ♥

"Seja imprevisível"

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Carla Scarpellini

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Sou dessas

Eu sou dessas pessoas bobas que gostam dos detalhes. Um cheiro, uma data, uma música, um lugar, um número. Abrir a janela pra ver o pôr-do-sol, parar pra ver a lua. Sou dessas que acredita que tudo tem um motivo de ser, uma explicação, mesmo que a gente não entenda – ou não aceite – muito bem.
Sou dessas que dá importância para as coisas mínimas. Um sorriso inesperado, um abraço apertado, um colo bom. Rir de coisas bobas, chorar por elas também, comer pipoca sozinha, ligar pra dizer “tudo bem?”. Andar de mãos dadas, admirar vitrines bonitas, planejar a próxima viagem, lembrar de um sonho e sempre ter um pra sonhar.  
Sou dessas que cozinha pra ver o sorriso nos outros, que acredita que os melhores temperos não são o sal e a pimenta, mas o amor e a atenção. Que acredita que uma comidinha boa é o melhor afago e o mais gostoso gesto de carinho.
Sou dessas pessoas que, apesar de tudo, acreditam nas outras. Que gosta de um bom dia, um boa tarde, um “boa noite, até amanhã”. Que sabe o gosto de ter os melhores amigos do mundo, apesar de poucos. Que sabe o gosto confuso da saudade, a distância exata das pessoas que mais ama e que conta os dias, as horas, os minutos...
Sou dessas que na maioria das vezes prefere o sofá, a casa de um amigo e um filme bom ao invés da balada de sábado à noite. Que desmarca qualquer compromisso se alguém precisar. Que acredita em algo divino, que cuida quando a gente não pode, que dá força quando a gente acha que nossa já se esgotou, que coloca um sorriso no nosso caminho pra mostrar que vai ficar tudo bem.
Sou dessas pessoas que tem a mãe como melhor amiga, o irmão como o melhor exemplo de que pessoas de coração bom ainda existem e que agradece todos os dias por ter tido a melhor criação do mundo. Sou dessas que acredita no amor, nessas histórias que parecem de cinema, mas que eu sei que são reais porque são minhas.
Sou essa. Que, vez ou outra, escreve textos com centenas de palavras que não fazem sentido algum para maioria, mas que acalmam a alma e o coração em dias um tanto pesados. Sou essa que, mesmo se sentindo deslocada às vezes, acredita que ser, sentir, escrever e acreditar em tudo isso vale a pena. Vale muito a pena.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Memória de bolso

Dia desses alguém pediu meu telefone. Travei. Percebi que não me lembrava qual era o número, tentei uma, duas, três vezes e desisti. Abri a agenda do próprio celular, passei o número, virei as costas e por horas não pude parar de pensar no que havia acontecido. Onde é que foi parar minha memória naqueles minutos?
Me veio à mente a cena de minha mãe pronunciando de imediato qualquer endereço, telefone e aniversário dos parentes e amigos, sempre que eu perguntara quando era apenas uma menina de dez anos de idade. Pouco mais de dez anos depois eu me pergunto: cadê a memória?
Minha mãe não é nenhuma senhora idosa de cabelos brancos, mas ela não cresceu com um Google sempre disponível, nem tomou nota dos telefones com o celular no bolso. Tenho a recordação de sua agenda preta guardada na gaveta da sala, onde provavelmente ainda está, e de sua memória invejável, treinada a anotar cada telefone, endereço e aniversário com boas lembranças, às vezes sem pressa alguma, com afeto, paciência.
Eu sou da geração que pegou a mudança com tempo suficiente para aprendê-la e incorporá-la. Ainda lembro da internet discada nos fins de semana e dos vendedores de enciclopédias que visitavam minha escola ao menos duas vezes por ano – onde será que eles estão? -, mas não me lembro do número do meu telefone.
Os telefones, endereços, anotações, comemorações, aniversários dos melhores amigos, lembrete para próxima festa... Tudo guardado em bits. No celular sempre a mão, no notebook guardado no quarto, no e-mail de fácil acesso, na rede social mais próxima. Nas facilidades que a tecnologia nos trouxe, nas lembranças que deixaram de ser construídas, na memória que deixou de se exercitar. Tudo guardado em bits.
Agora sinto uma ponta de inveja dos tempos da minha mãe, além de certa tristeza por ter incorporado tão avidamente as mudanças comportamentais trazidas com os benefícios tecnológicos. Não gosto de ter minhas memórias guardadas no bolso, preferia ter que buscá-las na mente. 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Limpeza


A gente junta tanta coisa na vida: cartas e papeis, fotos e brinquedos, amores e amigos, lembranças... A sensação de que tudo isso é uma parte física da gente, um pedacinho da nossa construção, é natural e inevitável.
E quando chega a hora de juntar tudo, separar, escolher e jogar fora, dói. É como se precisássemos nos descontruir, tirar uma peça, deixar-nos de lado, nos desarmar. Ai parece que a gente retrocede. Será?
Desapego é a palavra, é preciso praticá-lo! Mas como é difícil. Nem falar é fácil. Dói.
Hoje mexi nos armários, nas caixas, nas figuras, nos brinquedos, nas cartas, nos amores, amigos, memórias. Mexi comigo sem me programar. É assustador. A vontade de chorar não passa com os minutos, a vontade de parar e voltar não passa com as horas, a vontade de ficar me puxa. Mexer consigo mesmo é a barra mais pesada, a dose mais forte, a prova mais difícil.
E quando chega a hora. Dói.
Por que acabou? Passou por quê? Quem eu deixei pra trás? Quem eu resolvi levar? Por que o fiz? Por que não fiz? Tem resposta?
Dói.
Mas ai você senta. Descansa. Respira. Escreve. Repensa. Cai na real que se descontruir é necessário. Deixar ir embora não é retroceder, é entender que a vida passa. Que alguns momentos – bons e ruins – não merecem mais do que lembranças e sorrisos. Que os amores deixaram de ser, aceite. Aceite que você já não conhece aqueles que um dia chamou de amigos. É hora de desocupar espaço e dizer tchau.
Não dói mais.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Onde


Vou te levar pra onde, meu bem?
Te guardar em qual canto?
Vou te buscar outra vez no mundo
Te trazer pra perto de mim
Vai me levar pra onde, meu bem?
Hein?
Onde vamos parar, meu bem?
Vamos parar desta vez?
Para onde vamos, meu bem?
Até onde aguentamos? 
Para onde vamos, para onde vamos? 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Você nunca sabe ao certo onde o tempo e a vida podem te levar. Você nunca saberá quem vai ser parte dela, quem sai e quem entra na próxima fase. É como um jogo em que você só torce pra ganhar, pra ser feliz.

domingo, 13 de novembro de 2011

É fácil saber o que dizer quando a hora chega. Antes disso, parece mesmo impossível, então espere.

domingo, 30 de outubro de 2011

sem chão

Eu poderia dormir em suas mãos
eu realmente dormiria sem pensar
eu poderia passar a noite em claro também
caso você estivesse cansado demais
eu não me importaria de velar seu sono

eu cantaria por horas
só pra ver o seu sorriso
seus olhos se fechando
procurando por um lugar

eu te abraçaria, se esse fosse o seu desejo
e ficaria assim até sentir o seu abraço também
eu seguraria a sua mão
mesmo que isso te deixasse sem jeito
mesmo que isso me tirasse o chão

terça-feira, 25 de outubro de 2011

no sense

Essa coisa de dizer tchau, de ter que dizer até logo, de ter que sorrir, me parece bem injusto, não? Não que doa pra todas as pessoas, mas e a saudade? Há! A saudade! Aposto que se só de falar essa palavra ao menos uma pessoa lhe vem a mente. Não minta, vai.

E essa coisa de aprender com a dor. Como é que se faz isso? É mesmo possível? Deveria existir um passo-a-passo, um manual, regras!

Regra mesmo parece ser o gosto por gostar de pessoas erradas, nas horas erradas, de achar o lugar errado, de ser errado. No fim, a regra deve ser o erro, não acha?

E essa coisa de ser sempre o idiota? Andei pensando bem sobre isso e cheguei, enfim, a uma conclusão: pra ser idiota não é necessário um pré-requisito. E aqui estou eu para provar isto. Boa tarde!

Coincidência ou não, caminhos.

Certo dia, andando por ai, resolvi parar. Olhar pros lados, observar, olhar pra frente, preferi não olhar pra trás, vai que...né? Sentei. Olhei por um minutos, procurei alguém que decidisse parar também, ninguém percebeu se quer que havia alguém ali, parado, tão pouco alguém que quisesse parar.

Respirei fundo, três segundos, levantei. Voltei a andar e por um tempo procurei alguém que estivesse parado pelo caminho que fiz, ninguém, todos correndo, alguns voando, outros talvez nem estivessem ali. Desisti, o mundo é assim mesmo, não foi feito pra ficar parado, nós então, muito menos.

Mas talvez devêssemos pensar melhor por quais caminhos estamos seguindo, não por ser o certo ou errado, esta coisa não existe, simplesmente pra termos certeza de que é o caminho que queremos.

domingo, 16 de outubro de 2011

outra vez

Quando o seu único desejo

É simplesmente conseguir dormir

Quando a sua única prece

É para que passe o mais rápido possível

Quando o mundo para

Só para ouvir você dizer

Que está acontecendo outra vez

Mas que logo vai passar